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Motor TRANSVERSAL x LONGITUDINAL: Entenda as diferenças

Quem gosta de dirigir e tem um carro na garagem com certeza já ouviu falar em motor transversal e longitudinal. Mas mesmo assim, nem todos os motoristas sabem a diferença entre esses motores.

A evolução tecnológica encontrada no setor automotivo fez com que várias mudanças fossem implantadas nos motores para atender às necessidades dos motoristas.

A principal diferença é o formato. Os antigos carrões que faziam a cabeça dos amantes de veículos tinham enormes capôs, que eram projetados para acomodar os extensos motores longitudinais.

Com o passar dos anos, os carros começaram a diminuir de tamanho e peso. Com isso, as evoluções tecnológicas caminharam para a produção de motores mais leves e menores, os transversais. 

Hoje, as montadoras trabalham cada vez mais para aumentar a potência dessa peça, que é o coração do veículo, e de contrapartida, diminuir seus tamanhos drasticamente.

Entre tantos fatores que fazem de um automóvel mais potente, atraente e sofisticado, a disposição interna do motor e, consequentemente, suas engrenagens e caixa de câmbio, também podem contribuir para a diferenciação entre os modelos. Porém, é preciso deixar bastante claro que não é este o fator determinante.

O designer de uma montadora irá trabalhar de acordo com as orientações recebidas e não vai desenvolver um carro a partir do tipo de motor. O que pode acontecer, e é realidade em muitos casos, é que com um motor na transversal há mais espaço para a distribuição do peso do veículo, o que vai afetar diretamente a relação peso-potência do automóvel. 

Ou seja, os automóveis menores, de passeio e de menor valor, optam sempre pelo motor na transversal, enquanto que o tipo longitudinal, por ocupar mais espaço, são sempre relacionados a carros maiores e com mais potência. Quer entender melhor a relação entre torque e potência? Clique aqui.

Motores Transversais

Com o passar dos anos, a necessidade de reduzir o consumo de combustível dos veículos fez com que as montadoras inovassem na produção dos motores. Uma maneira encontrada para reduzir o tamanho e o consumo de combustível foi a criação do motor transversal. 

A peça não mais acompanha a extensão do veículo e ganha um espaço reduzido paralelo ao comprimento do carro. O novo posicionamento, paralelo aos eixos das rodas, deixou o carro mais leve e mais eficiente.

Com um tamanho menor, o motor transversal também precisa de menos combustível para funcionar, atingindo também outro ponto importante para as montadoras — o veículo se tornou mais sustentável, menos poluente.

Os primeiros registros de motor transversal é de 1910, porém somente vinte anos depois esse tipo se tornou popular. No Brasil, o primeiro carro com motor transversal foi o Fiat 147 ano 1976.

A disposição desse tipo de motor nos automóveis é perpendicular ao comprimento do carro. Os cilindros estão dispostos a partir da esquerda e são comumente encontrados em carros com tração dianteira. Nesses casos, o motor fica alojado entre as rodas dianteiras com o câmbio encaixado em uma extremidade. Há também carros que tem o motor no meio e tração traseira. Esse tipo permite mais espaço na cabine do veículo, com o motor atravessado na dianteira e o virabrequim alinhado conectado às rodas.

Motores Longitudinais

Esses motores fizeram muito sucesso na década de 80, em que os veículos eram maiores e mais espaçosos internamente. Por fora, eram verdadeiras máquinas, com um capô extenso capaz de abrigar o motor que tinha seus propulsores alinhados de acordo com o comprimento do veículo, no formato longitudinal.

Pela característica do seu alinhamento em relação ao tamanho, os motores possuem mais potência, como os conhecidos V6, e assim necessitam de mais combustível para o seu funcionamento. 

No Brasil das décadas de 80 e 90, carros como o VW Gol 1.8 GTS, VW Santana 2.0 GLS e GM Opala Diplomata 4.1S, eram objetos de consumo de muitos brasileiros graças a essas características. Ainda hoje é comum relacionar esse tipo de motor a carros maiores e mais potentes. De fato, atualmente, ele é raramente encontrado nos automóveis de passeio. Os veículos com tração 4×4 e traseira, são os tipos que ainda adotam o motor longitudinal, ou seja, possuem o motor posicionado paralelamente ao comprimento do carro. Sedãs de luxo também, como o Audi A4, que vem com seus propulsores 4 cl em linha com tração dianteira.

Os carros com motor longitudinal têm o motor na frente e tração traseira, sendo encaixado na linha central do carro, com o câmbio na parte de trás e um eixo de transmissão que vai até o eixo traseiro. Essa disposição faz com que os automóveis com esse tipo de motor precisem de engrenagem em 90° para que chegue até as rodas.

As tendências para o futuro

Via de regra, existe uma constante busca pelo aperfeiçoamento dos veículos. A tecnologia, imprimida não só nos motores, como também em demais componentes do sistema mecânico dos carros, caminha para veículos mais autossuficientes.

Os motores tendem a diminuir o número de cilindros, reduzindo assim o número de processos necessários para gerar a potência do carro. De contrapartida, as caixas de marcha também estão sofrendo adaptações e carros automáticos, por exemplo, estão cada vez mais ganhando espaço no mercado.

Quando falamos dos motores transversais ou longitudinais, por uma questão sustentável, parece que os pequenos notáveis transversais estão anos luz à frente. Por isso, tudo indica que eles passarão por muitas melhorias para ficar ainda mais potentes e mais eficientes energeticamente.

Sou mecânico com muitos anos de experiência. Tenho preferências por carros japoneses e atualmente tenho um Subaru Impreza 2011. Quem sabe um dia consiga ter um Mitsubishi Eclipse ou então dirigir um Honda NSX. Nunca se esqueça: o melhor carro do mundo é o que a gente tem. | Instagram