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Agrale, uma construtora de veículos totalmente brasileira

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A Agrale é a única empresa automotiva brasileira e a única fabricante de caminhões e tratores de capital nacional. Sediada em Caxias do Sul, não é uma fabricante de carros como gostaríamos, porém é totalmente nacional e fabrica veículos de quatro rodas.

Produz motores a diesel, tratores, caminhões leves e médios, chassis para ônibus e utilitários para uso esportivo e militar. É uma empresa nossa, que utiliza tecnologia e mão de obra brasileira, e que perdura há mais de meio século no setor.

O Brasil é um país carente no setor automotivo. Apesar de termos diversas fábricas por aqui, utilizamos tecnologias de montadoras internacionais. Com a Agrale é diferente, se trata de uma empresa 100% brasileira.

Já tivemos a época em que produzimos nossos próprios carros, como por exemplo, o Gurgel BR800, produzido com tecnologia 100% brasileira na década de 90, inclusive motor e chassi (você pode ler essa história clicando aqui). Hoje em dia a Gurgel não existe mais, mas ainda temos duas empresas nacionais de veículos, porém do setor offroad, a Troller e Agrale.

A Troller, por sua vez, foi vendida pra Ford, e agora segue com seu futuro incerto desde a saída da multinacional do país. Mas no meio do conturbado setor automotivo brasileiro, temos uma empresa que segue firme e forte produzindo seus veículos em território tupiniquim, a Agrale.

O começo da Agrale

A história começa com sua fundação em 1962 na cidade de Sapucaia do Sul, Rio Grande do Sul, com o nome de Agrisa. No início montava pequeno tratores e cultivadores mecânicos, com permissão da marca alemã Bungartz.

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Logo nos seus primeiros anos a Agrisa teve dificuldades financeiras, antes mesmo de lançar seu segundo modelo e entrou em processo de falência. Todavia, o grupo Francisco Stédile tornou-se sócio majoritário e transferiu a produção no mesmo ano para Caxias do Sul, alterando o nome para Agrale Tratores e Motores S/A.

Em 1968 ocorreu o lançamento do microtrator Agrale 415, o primeiro trator fabricado no Rio Grande do Sul. Foi um marco no processo de mecanização da agricultura familiar no Brasil.

Começava então um período de grande crescimento para a marca, com a adição de diversos modelos e início da fabricação de motores a diesel.

O primeiro caminhão foi lançado em 1982, com o nome de TX 1100, o percursor da família de veículos da Agrale. Até então a marca produzia apenas tratores de pequeno porte e um motor próprio de dois cilindros a diesel.

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Devido ao sucesso do seu primeiro caminhão e para atender as necessidades do mercado, a Agrale lançou outros modelos, que também foram bem recebidos, mesmo tendo concorrentes fabricados por multinacionais.

A partir de então, a Agrale já estava de cabeça dentro do mercado de caminhões, e a evolução a partir dali foi notória.

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Com a aquisição da Alpina e uma parceria com a italiana Cagiva, a Agrale também entrou no ramo de motocicletas e ciclomotores, no período entre 1984 e 1997 na fábrica da Zona Franca de Manaus, hoje desativada. Assim como no segmento de veículos, se destacou principalmente em motos off-road, principalmente enduro.

Nessa época a empresa já fabricava diversos caminhões leves e motocicletas, porém a linha de tratores agrícolas continuava sendo o maior destaque dela.

Com o passar do tempo a Agrale percebeu que poderia também ingressar no ramo de ônibus e micro-ônibus. Para isso começou uma parceria com a também gaúcha Marcopolo, criando então em 1998 a Volare. Enquanto a Agrale fornecia o chassi e motor, a Marcopolo realizava todo processo de encarroçamento.

Em 2004 foi a estreia da linha de 4×4 da marca, com o lançamento do grande sucesso Agrale Marruá, destinado ao uso das forças armadas e de segurança, bem como para frotas que necessitam de um veículo para regiões de difícil acesso.

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A marca continuou evoluindo, com o lançamento de veículos elétricos, construção de veículos mais fortes, resistentes e maior motorização, entre outros avanços que garantem a Agrale como líder de mercado.

Situação atual

Atualmente a Agrale conta com quatro plantas de fabricação, sendo três em Caxias do Sul e uma em São Mateus, no Espírito Santo. Essa última responsável apenas pela montagem de caminhões médios.

Também possui uma unidade industrial e administrativa na Argentina, responsável por produzir chassis para ônibus, caminhões e tratores.

Se mantiver a evolução que vem apresentando, a marca tende a continuar crescendo exponencialmente, evoluindo e aumentando sua gama de produto pelas próximas décadas. Quem sabe um dia a Agrale ingresse no ramo de carros de passeio, e o Brasil voltar a ter pelo menos um carro com tecnologia totalmente nacional.

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Sou mecânico com muitos anos de experiência. Tenho preferências por carros japoneses e atualmente tenho um Subaru Impreza 2011. Quem sabe um dia consiga ter um Mitsubishi Eclipse ou então dirigir um Honda NSX. Nunca se esqueça: o melhor carro do mundo é o que a gente tem. | Instagram