É indiscutível que os modelos de câmbio que contam com algum tipo de automação vem ganhando mais espaço no mercado brasileiro. São exemplares que oferecem mais conforto ao dirigir, maior durabilidade quando comparados aos manuais e representam um nível de segurança maior, uma vez que o motorista pode manter as duas mãos ao volante na maior parte do tempo.

Câmbio PowerShift

Desde o momento em que o mercado se volta cada vez mais para os “automáticos”, mecânicos e consumidores apontam defeitos e desvantagens de alguns tipos de câmbios automatizados. Um grande exemplo é o câmbio Power Shift, muito aclamado em 2013, quando estreou no Brasil fazendo parte do New Fiesta. A chegada ao mercado de um modelo de duas embreagens, até então restrito a modelos caros e esportivos, parecia ser um grande diferencial.

Na prática, já os modelos 2013 e 2014 começaram a apresentar defeitos. As principais reclamações de consumidores incluíam ruídos no câmbio, falha na troca de marcha, perda do torque e potência, alto consumo de combustível e alto custo em mão de obra especializada para manutenção. A Ford nunca fez um Recall formal, o que decepcionou grande parte dos consumidores que adquiriram ou pretendiam adquirir o modelo. Foram feitos reparos pontuais por parte da montadora, ignorando o prazo de garantia, em alguns exemplares que apresentaram problemas mais severos.

Contudo, o modelo de câmbio continuou a ser produzido e equipado em veículos mais novos, como o Focus Titanium Plus 2015 e o Fiesta Titanium Plus 2016/2017. Como já previsto, estes modelos também acabaram apresentando falhas, por exemplo: falta de agilidade na transmissão e câmbio vacilante entre as trocas. Outro grande impacto negativo do câmbio PowerShift é a desvalorização na Tabela Fipe, já que os consumidores não tiveram em nada suas expectativas superadas, muito pelo contrário, diminuindo assim o valor de revenda no mercado.

“O carro ficou com má fama, infelizmente. Quando pegamos um o dono fica chateado, pois o preço vai lá para baixo. E ainda demoramos a vender. Já fiquei com um Fiesta Powershift aqui por quase quatro meses, enquanto vendi, em menos de trinta dias, outros carros da Ford com câmbio manual”

Relata um vendedor de uma loja em São Paulo.

Câmbio I-Motion

Automatizados ou robotizados, podemos assim chamar os câmbios I-Motion. O sistema conta com um computador que se encarrega de fazer a alavanca de mudança de marchas e, aliado a isso, o baixo valor de custo tornou esse tipo de exemplar um queridinho dos consumidores. O que não durou muito…

No início de 2019, a Volkswagen chegou com a promessa de tirar o câmbio iMotion de linha, devido a grande quantidade de reclamações por parte dos clientes. O sistema ficou popularmente conhecido pela lentidão nas trocas de marcha, trancos e a quantidade de problemas de manutenção. O Up Foi o último carro da marca a utilizar esse tipo de sistema.

Câmbio Dualogic

Quem também enfrenta problemas semelhantes ao PowerShift e I-Motion, são os utilitários que contam com o câmbio Dualogic. Lançado em 2008, com bastante publicidade positiva na época, a Fiat apostou com tudo nessa tecnologia trazendo como primeiro exemplar o Stilo, em seguida expandiu para algumas opções da linha de luxo (Línea e 500).

Apesar disso, as falhas desse tipo de câmbio são recorrentes, a montadora costuma fazer atualizações no software para eliminar as falhas que ocorriam na transmissão automatizada, feitas nas autorizadas. Mesmo assim, até hoje donos de Fiat reclamam de problemas de funcionamento. 

“Desde que comprei o carro, no ano passado, a luz da bateria acende quando mudo a marcha. Depois apareceu a mensagem de avaria no Dualogic, e o câmbio começou a trocar da segunda marcha direto para quarta ou ficar em neutro, sem o carro andar. E isso aconteceu um mês depois do fim da garantia”

Relata a proprietária de um Grand Siena 1.6 16V 2012.

A Fiat, por sua vez, alega que estes problemas são pontuais e não são relacionados ao mesmo tipo de item, o que não caracterizaria vício sistêmico. Na prática, vemos que não só os modelos Gran Siena apresentam falhas, mas também o Punto. 

Após tantas críticas, é possível que o Cronos seja o último modelo a contar com câmbio Dualogic, já que a empresa se inclina para substituição pelo câmbio CVT, que não tem engrenagens de transmissão e o aumento ou redução da marcha são realizados através de um cone hidráulico.

Câmbio Easy’R

O câmbio Easy’R chegou para equipar os modelos Logan, Sandero e Sandero Stepway, sempre associado ao motor 1.6 de oito válvulas. Dois anos depois, a caixa passou a ser oferecida apenas em conjunto com o propulsor 1.6 de 16 válvulas. Mas, a partir de meados de 2017, o sistema automatizado passou a ser vendido somente como opção para o Sandero Stepway, versão aventureira do hatch. 

Essa transmissão foi lançada pela marca francesa em 2014, como substituta do câmbio automático convencional. Na época, a medida representava um certo avanço. A transmissão automática convencional (com conversor de torque) tinha quatro marchas e as passagens nem sempre eram feitas com suavidade. Além disso, o consumo era prejudicado, por causa da falta de uma quinta velocidade. A caixa automatizada de uma embreagem resolvia o problema, mas aparentemente a solução foi temporária.

“Estou há 1 ano e alguns meses com o veículo (Sandero Stepway 2015/16) e profundamente decepcionado com o sistema EASY’R. Já tive tanto, mas tanto problema, que é difícil até de relatar… O carro às vezes liga de primeira e às vezes não, trepida, apaga sozinho e não engata. Basicamente o sistema apresenta vários problemas quanto a segurança, chega a ser perigoso passar em um cruzamento ou entrar em uma rua sem parar totalmente o carro. O sistema demora para engatar as marchas de tal forma que em um terreno minimamente inclinado o carro se movimenta, e por característica do produto ele não permite o encaixe da primeira marcha. Ele diversas vezes prende na segunda marcha em um terreno reto e estável. Em terrenos inclinados ele faz mudanças de marcha e o carro fica sem força nenhuma. Estacionar de ré com este câmbio em subida é impossível, pois os trancos que dá você não consegue controlar.”

Relata um consumidor de Guarulhos/SP.

Conclusão

Em virtude do que foi mencionado, apesar do câmbio Power Shift apresentar mais conforto ao dirigir pelo duplo sistema de embreagem, diferente dos outros modelos automatizados acima citados (com apenas uma embreagem), todos apresentam falhas severas e ficaram negativamente conhecidos no mercado. Em uma pesquisa rápida na internet é possível encontrar diversos relatos de clientes insatisfeitos, alguns até que retornaram aos modelos de câmbio manual tamanha insatisfação.

A expectativa futura é que o mercado migre para os modelos mais inteligentes de câmbio, como o câmbio CVT do Toyota Corolla e o câmbio ZF que, apesar de demorar para a acertar a mão no modelo 9 marchas, hoje está entre os mais notáveis disponíveis no Brasil. Então o desafio que fica é aliar sistemas de qualidade, a prova de falhas com um preço justo e que caiba no bolso do consumidor brasileiro.

Categoria:

Últimos artigos

Confira os últimos artigos postados pela AutoXP

Você já ouviu falar no termo “Car Care“? Traduzido literalmente ele significa […]
Descobrir o óleo certo para seu carro é algo relativamente fácil. Basta […]
blank
Muitos motoristas almejam aumentar a potência do motor do seu carro, e […]
blank
Grande parte dos problemas no carro podem ser diagnosticados no começo se […]
blank
Você já deve ter tentado pesquisar sobre quais eram as melhores marcas […]
blank
Sem dúvidas, a cena mais icônica do Punta taco é o Ayrton […]
blank
O shampoo é um item fundamental quando pensamos na clássica lavagem com água. Sua […]
blank
Através dos desmanches legalizados é possível adquirir peças mais baratas e originais […]